Page 7 - Agenda Municipal de Janeiro/Fevereiro/Março
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Pano de Boca - Teatro Chaby Pinheiro
ré, reservando para o interior o verdadei- nobres — entre os quais ouro aplicado na
ro encanto do edifício, onde se revela a pintura —, o conjunto decorativo apresen-
identidade profunda do Chaby Pinheiro: a ta alegorias à comédia e à tragédia gre-
estrutura integral em madeira da plateia e gas, motivos florais no teto e uma figura
das galerias, a fluidez das linhas, a esca- feminina de inspiração clássica no pano
la intimista e o equilíbrio entre funcionali- de boca, que continua a olhar a plateia
dade e expressão artística. quase cem anos depois.
Após uma interrupção prolongada das A inauguração, a 5 de fevereiro de
obras, o projeto seria retomado em 1923, 1926, revestiu-se de grande simbolismo,
com um novo impulso decisivo graças ao tendo a abertura da sala contado com a
apoio financeiro da Casa da Senhora da presença do ator Chaby Pinheiro, cuja
Nazaré, que disponibilizou uma verba ex- companhia levou à cena O Leão da Estre-
traordinária para a época. A fase final de la e O Conde Barão, e foi em homenagem
execução contou com a intervenção de a esse momento fundador, que o teatro
Frederico Ayres, responsável pelos cená- adotou o nome do ator, designação que
rios, frescos decorativos e pelo pano de perdurou e se tornou indissociável da me-
boca de cena, que ainda hoje constitui mória cultural da Nazaré.
uma das imagens mais emblemáticas do O ator Chaby Pinheiro (1883–1934) foi
teatro, executado com recurso a materiais uma das figuras mais populares e caris-
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