Page 5 - Agenda Municipal de Janeiro/Fevereiro/Março
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SÃO BRÁS


          O INÍCIO DA FOLIA


                   ciclo carnavalesco da  Nazaré   (Redol, 2011)
                   começa  no dia 3 de fevereiro,   O Carnaval começa em data fixa, o dia de
                   com a festa de S. Brás. Esta ce-  S. Brás. “Uma estranha desordem desarruma,
           O lebração, de carácter popular e   como um vento, os conceitos do vestuário e
          pagão, marca o arranque da folia.   opera construções tão improváveis que só po-
           É uma festa pagã, podemos mesmo dizer   demos compará-las como um sonho ou com
          dionisíaca,  onde não existem padres, nem   um esboço de surrealista.
          missas: “Fazem-lhe uma festa sem dinheiro,   Será preciso suspender o raciocínio e olhar
          pois nem os padres vão lá acima dizer a missa   com humildade o movimento da gente imen-
          e receber esmolas”. (Redol, 2011)  sa que, transfigurada, se dirige ao monte. (…)
           É uma festa pagã que se celebra com fo-  A toda a volta, no sopé, se acendem cente-
          gueiras, danças, enchidos,  mascarados  e   nas de fogueiras com a lenha que o pinhal
          vinho.                             lhes oferece.”(Correia, 2002)“Quem passeia
          “Enfiam todos pelo pinhal, onde se fazem fo-  na festa de S.  Brás e vê os garrafões e os
          gueiras pequenas para assar a chouriça  do   chouriços imagina os séculos e os milénios,
          costume, bem regada com vinho que os ho-  o cristianismo e o ateísmo nada podem contra
          mens levam nos garrafões pequenos e  nas   o profundo encontro entre o ser vivo e a divini-
          cabaças, pinga dum lado, pinga do outro e a   zada natureza.”(Correia, 2002)
          meio da tarde tudo dança. Dançam em gran-
          des rodas ao som de pequenas  charangas,   Bibliografia:
                                             REDOL, Alves. Uma fenda na muralha. Lisboa: Editorial Caminho, 2011
          em rodopios de estarrecer, cá em baixo e no   CORREIA, Hélia (texto); VINAGRE, Valter. Monte Siano. Lisboa: Câmara
                                             Municipal da Nazaré; Assírio & Alvim, 2004
          planalto do meio da encosta, onde vendilhões    1 Fatias de maçã meio secas, mais conhecidas entre a população local
          oferecem fiadas de peros , bolos de açúcar   como “passarolas”
          e canela,  pinhões  enfiados  ou em medidas.
          É aqui que os mascarados bailam, enquanto
          os mais devotos lá amarinham por aquele ca-
          minho de cabras, num escadório de madeira
          apoiada nas rochas velhas e com a ajuda de
          um corrimão de ferro já velho também.”
                                                                          3 FEV
                                                                Festividades em Honra de
                                                                      São Bartolomeu
                                                                       Monte S. Brás
                                                                       COMUNIDADE







                                           Capela de São Bartolomeu e São Brás - Monte de São Brás
                                                                           5
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