Page 13 - Agenda Municipal de Janeiro/Fevereiro/Março
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BANDAS INFERNAIS
s Bandas Infernais são uma lar foi-se consolidando, ganhando maior
das tradições mais vibrantes organização, identidade própria, nomes,
e identitárias do Carnaval figurinos e marchas originais, num saudá-
A da Nazaré, com raízes que vel espírito de convívio e competição.
remontam ao início do século XX. Cria- Nas últimas décadas, as mulheres as-
das para anunciar a chegada da festa, sumiram um papel central, trazendo novo
tinham como principal missão acordar a colorido e criatividade às Bandas Infer-
população, recorrendo inicialmente a ins- nais, substituindo os instrumentos impro-
trumentos musicais e, mais tarde, a todo visados por tarolas, castanholas e outros
o tipo de objetos capazes de produzir ba- instrumentos musicais. Cada grupo cria o
rulho — bombos, tachos, panelas e outros seu figurino e compõe letras satíricas ins-
utensílios improvisados. piradas na realidade local.
De formação maioritariamente espontâ- Na manhã do Domingo Gordo, as ruas
nea, as Bandas Infernais começaram por do Sítio, da Praia e da Pederneira en-
ser compostas sobretudo por homens, chem-se de som, cor e alegria, quando as
existindo também grupos mistos, com ho- Bandas Infernais saem à rua para desfi-
mens, mulheres e crianças. Os “ensaia- lar, cantar e dançar, celebrando uma das
dos” reuniam-se em grupos, que com re- tradições mais vivas do Carnaval da Na-
curso a bombos, tachos, panelas velhas, zaré. Como resumiu Alves Redol, “O Car-
tudo faziam para provocar barulho. Com naval é folguedo, pois folguemos todos”!
o passar do tempo, esta tradição popu-
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